Nas margens de mim mesmo

Nas margens de mim mesmo

    Independência é uma palavra forte. Forte no significado e forte na ação também. Quero que pensemos um pouco sobre isso aqui, agora. E temos um ótimo exemplo prático em nossa história e é ele que vou usar de base. 

 

    Que tal fazermos um resgate histórico?  Coisa rápida e simples.

 

    Há uns 193 anos atrás um grito foi dado nas margens de um rio: "Independência ou Morte!" Por ouvirmos essa frase tantas vezes ao longo dos anos, na escola e nos feriados de 07 Setembro, talvez ela tenha perdido seu nível de intensidade aos nossos ouvidos.

 

    Mas vamos testar algo diferente aqui. Ao invés de repetir essa frase como quem reproduz um conhecimento que teve, coloque-se como a pessoa atuante por um momento, propondo algo assim. Isso. Pense por um momento na sua vida. Nas margens de que rio da sua história você estaria para proferir uma sentença dessa? Olhando para qual situação? Olhando para quem?

 

    Independência vai além do que aprendemos que seria.

 

    Boa parte do que nos ensinaram apontava uma vida adulta onde se sabe lidar com qualquer problema; onde incertezas não são bem-vindas, pois temos de ter todas as certezas; onde para qualquer resposta que lhe fizerem você saberá o que responder.

 

    Se fosse assim a vida adulta seria o auge da maior conquista de todos os tempos de todas as pessoas! Longe da casa dos pais, próprio carro, casa/apartamento, e todo o pacote que compramos ao longo do nosso crescimento de que ser adulto é ser sempre um sujeito bem resolvido em todas as horas e fases. Uma super "independência". Quase uma vida perfeita.

 

    Nos ensinaram a olhar para fora. A reconhecer nos méritos externos os benefício da independência. Quando no fundo a tal da independência deveria girar em torno do resgate de nós mesmos. E olhando por esse ângulo uma pergunta surge: sua vida está em você? Existem elementos que te tornam refém de algo ou alguém? É nessa hora que o grito na margem de um rio interno, bem aqui dentro, faz todo sentido: "independência ou morte?"

 

    Nesse sentido, quantas mortes foram vivenciadas ao longo de sua trajetória? (e não estou falando de morte física) Quantas coisas foram abafadas, silenciadas, sufocadas, entupidas? Consegue numerá-las? Vê-las?

 

    A vida tornando-se esse campo aberto de batalha entre mortes que sofremos e entre independências que conquistamos. 

 

    Pode parecer estranho, mas acredite, é necessário os dois coexistirem, a independência e a morte. As mazelas da nossa existência são nossas grandes propulsoras do algo além que nem fazemos idéia.

 

    Ali estava Dom Pedro I, tomando uma decisão que mudaria os rumos da história. Promover uma guerra e derramamento de sangue em nome de algo não é uma decisão tão simples. A questão é que nossos conflitos nos conduzem ao que chamamos de limite, esse lugar que nos faz sentir que dali em diante não dá mais, a menos que algo aconteça.

 

    E é aí, justamente aí,  diante do nosso limite que percebemos que as coisas ainda possuem o poder de serem transformadas. Nossas dores e sofrimento, nossa situação de vida, seja ela qual for, tem a potência necessária de produzir em nós movimento para criar algo novo de nossa própria condição.

 

    O que não nos dizem com freqüência é que somos CRIADORES da nossa existência o tempo todo. Seja escolhendo a independência ou a morte, estamos criando algo.

 

    As margens de um rio Dom Pedro I mudou o rumo de algumas coisas sem ter proporção do quanto seria. E quanto a nós? As margens de nós mesmos que possibilidades de mudanças estamos criando?

 

    Qual é o brado, o grito que soará como marco histórico da sua própria vida?

Quais tem sido os embates diários que te convidam a transformá-lo em algo novo?

 

    Independência ou morte?