Ponto de vista!

Ponto de vista!

    COMO ANDAM SEUS OLHOS? O que você observa e contempla, e como observa e contempla? O que existe por trás do teu olhar? Quais teus limites com eles?


     Os olhos, esse bendito par que carregamos no rosto. Já parou para pensar um pouco sobre eles? É o que iremos fazer aqui, agora. Hoje quero te mostrar que, às vezes, sem nos darmos conta, podemos alimentar em nós mais fé suicida, do que uma fé que nos coloca em movimento criador. Topa? Então #partiu aprofundar esses bang tudo?

    
    Nossos olhos carregam mais do que cores e detalhes diversos. Eles carregam mais do que sua fisiologia. É com eles que vamos determinando a forma como damos contorno a nossa vida, nossa história e caminho. Mas calma, vamos do início.

 

     Você nasceu em um país, em um Estado, em uma cidade, em um bairro, em uma família. Pois bem, cada desdobramento desse te formou. Tua cultura, as coisas que foram te passadas, os valores e princípios que te ensinaram, o jeito como tu foi criado, as experiências que, nesses lugares, ambientes e pessoas você viveu. Tudo isso constituindo tua forma de ver as coisas, de absorver as coisas, de encarar as coisas, de entender as coisas.

 

      O mundo foi criando forma para você a partir dessa conjuntura. E aqui, nesse exato momento da tua vida, você me lê com toda sua bagagem de vida.

 

        Somos diferentes de animais. Animais nascem e já são o que são e atuam como atuam. Você nunca verá uma pomba criando cartazes de manifestações, brigando por mais humanos que joguem milhos nas ruas. Você nunca verá, num bando de elefantes, um comitê ou um sindicato para verificar de que forma eles podem melhorar ou modificar sua forma de vida elefantal. Pois bem, isso é próprio nosso. Ou seja, o mundo dos humanos nunca foi sempre assim, do jeito como você vê hoje. Até chegarmos em nós, aqui, 2016, muita coisa já rolou. E o que quero dizer com isso? Simples, a forma de ver e pensar as coisas se alterou. Muda-se a forma de ver as coisas, muda-se a forma de pensar sobre as coisas, que mudam as formas de agirmos sobre as coisas, que muda a forma como passamos esses novos aprendizados aos outros. Uma espécie de fluxo constante. Basta pegarmos nossos avós, nossos pais e nós, e fica evidente que já rolou coisa pra caramba em apenas 3 gerações. Na época do meu avô, andar de mão dada, na rua com a namorada, era o maior escândalo do mundo dessa vida dimeodeos. Havia um certo modo de olhar a relação naquela época, um certo modo de entender a moral e os valores, um certo modo de agir sobre esse conjunto de coisas.

 

         As perguntas que vão se formulando nessa equação é: que tipo de olhar foi te ensinado? Que tipo de encontros você teve na vida que foi modificando teus olhos? Que tipo de barreiras você encontra hoje por conta do vício contido em determinadas formas de ver e encarar as coisas?

 

        Quero te propor 3 perguntas aqui, e quero que você se provoque mesmo com elas:

 

*como eu penso o que penso?           
*como eu sinto o que eu sinto?           
*como eu faço o que eu faço?

 

        Três perguntas que me tiravam e ainda tiram semanas de sono se eu deixar. Há nessas perguntas uma espécie de peneira existencial, onde começo a identificar o que foi sendo inserido em mim, e o que de fato é meu por eu ter me apropriado daquilo como uma extensão minha. É como passar um raio X em nossas vontades, desejos, hipocrisias, intenções, maquinações, mentiras, invejas, ações, pensamentos, verdades, valores, princípios, e todo o mais que você quiser. Se você, de fato, se permitir entrar a fundo nessas perguntas, e revisitar sua trajetória de vida até aqui, pode chegar a se sentir nu, um nu diferente, um nu muito mais íntimo do que já se acostumou a ver. É um nu interno. Pode surgir uma vergonha por encarar certas verdades e por ter de admiti-las, mesmo querendo negá-las a todo custo. Também pode surgir orgulho de reconhecer que tua história te agregou coisas fundamentais para tua forma de viver e existir hoje.

 

         Se há uma coisa que não muda é que tudo muda, rsrsrs. O mundo muda, as pessoas mudam, as estruturas, as crenças, as verdades absolutas, tudo passa por um processo de transformação contínuo. E há um detalhe nisso, o detalhe de que as coisas também se transforma porque seus olhos mudaram!

 

        Já parou para pensar que a partir deles, os olhos, vamos definindo todas as coisas? A forma como enxergamos o mundo transforma esse mundo constantemente. Uma coisa nunca será a mesma coisa se há duas pessoas olhando para ela. Quer ver só? Se eu amo lasanha (e isso é muito verdade hahaha), e você detesta e eu e você estivermos diante de apenas UMA LASANHA, essa única lasanha não será a mesma. Ela será, ao mesmo tempo, a melhor coisa do mundo e a pior coisa do mundo, mas é apenas uma lasanha. O que muda é o gosto de quem come. A forma com que vemos as coisas também é assim: qual é minha forma de olhar o que eu vejo quando estou diante das situações da minha vida?

 

          Os olhos matam! Os olhos dão vida! Tudo depende de quem os usa.

          E onde entra a fé suicida nisso tudo? Estamos chegando nela.

 

        Essa fé da qual estou falando não é a fé embutida de espiritualidade ou crença religiosa. Falo da fé na perspectiva das coisas que esperamos sem ver, de acreditar nas possibilidades vindouras daquilo que ainda não está presente. Ceerto, posto isso, continuemos.

 

        Já parou pra pensar que temos um tipo de fé ligada com nossos olhos, com a forma como enxergamos as coisas, com aquilo que nossos olhos miram? Procurar emprego. Apostar num amor. Aquisição de carro ou casa pelos financiamentos. Faculdades e vida acadêmica. Ou seja, estamos o tempo todo nos lançando e começando coisas na esperança e na fé de que tudo se desenrole até suas concretizações bem sucedidas. Ok. Nesse sentido nossa fé nos mobiliza, nos movimenta em direção a algo. Carregados de um vislumbre de como nosso futuro pode ser com essas coisas nos lançamos sobre ele, apostando e nos movendo.

 

          A fé suicida é o oposto e se utiliza da mesma dinâmica: meus olhos e a forma como vejo as coisas! A forma como olho para fora e desconstruo cada possibilidade, cada potencialidade, cada chance, cada tentativa, cada esperança. É uma fé que me faz acreditar no completo inverso do que posso vir a ser nesse mundão. É uma fé que me impossibilita. E por que é uma fé? Pois é uma forma de olhar carregado de crenças, mas uma crença que poda ao invés de adubar. É como se fosse uma arma que aponto em minha direção em cada tentativa de vislumbrar coisas novas. Uma fé que me fecha e me enclausura. Paralisa. E localizada onde? Nos olhos como forma de ver as coisas, que influenciam na minha forma de pensar, que influenciam na minha forma de agir.

 

         Se essa fé de que estou falando tem a ver com a forma como eu vejo, se tem a ver com a forma como fui ensinado ou com as coisas que fui absorvendo ao longo de minha vida, surge uma pergunta: ONDE FOI QUE MEUS OLHOS SE VICIARAM? Em que momento minha visão decidiu escolher meu tipo de fé?

 

        Posso te contar uma história, rapidão? Só pra deixar bem claro o fator influência dos olhos! Vou te contar sobre Thomas Edison, o sujeito-homi que inventou a lâmpa. Vou falar dele só pra dar uma luz aqui (sim, eu sei, esse foi um trocadilho muito ruim, péssimo, tosco, mas só deus pode me julgar).

 

          Numa entrevista com Thomas Edison um repórter quis saber como ele se sentia por ter falhado 25 mil vezes na sua tentativa de criar uma simples bateria. Ele respondeu: "Não sei porque você acha que foi um fracasso. Hoje eu conheço 25 mil maneiras de como não fazer uma bateria. E você, o que sabe?”.

 

          Olha que interessante: o repórter fez a pergunta de um PONTO DE VISTA. Thomas respondeu de outro. Notou? Um mesmo evento e duas visões completamente distintas.    

         Quando foi para a escola na cidade de Port Huron, em Michigan, os professores reclamaram que ele era "lerdo" e indisciplinado. Dada a situação, sua mãe decidiu retirá-lo da escola e educá-lo em casa. Ou seja, ele foi rotulado por uma forma de ser visto, mas vai vendo o desenrolar da coisa.      

        O cara era fascinado por ciência. Aos 10 anos de idade já tinha montado o seu primeiro laboratório de química. Imagina se ele não fosse lerdo hahaha

      Thomas Edison tinha uma energia interna incomum, assim como o sua genialidade que segundo ele era "1% inspiração e 99% perspiração" (e vc aí achando que o wesley safadão que criou essa modinha de 99% / 1%).

 

          O lerdão do Thomas criou apenas mais de 1300 invenções, só isso. E, cara, inventar é só o ato de trazer para a existência aquilo que ainda não existe. Você tem noção? Sacou o tipo de fé que cria movimento?

 

         A invenção da lâmpada incandescente lhe custou 2 mil tentativas. 2 MIL TENTATIVAS, CARA! Qual foi teu máximo de tentativa nas tuas coisas? Nos teus projetos? Qual a distância que teu olhar alcança? Ou você tem uma vista que cansa com muita facilidade e vai minguando progressivamente?           

         Aí, chegam uns atravessados da vida e perguntam ao Thomas  como ele se sentia por ter falhado tanto no processo de criação da lâmpada. Você já passou por esse tipo de situação? De gente que te coloca diante dos teus "fracassos" só por mera curiosidade?? Pois bem, eis que o Thomas respondeu o seguinte: "Eu não falhei nenhuma vez. Apenas inventei uma lâmpada incandescente que teve um processo com 2 mil etapas." hahahahaha O cara ainda era bem humorado.

 

        O laboratório dele foi destruído por um incêndio em dezembro de 1914. Naquela noite, grande parte do trabalho de uma vida inteira virou fumaça. Tu já perdeu coisas pra sempre? Já viu teus esforços virando cinzas?      

        Com o incêndio no auge, Charles, seu filho de 24 anos de idade, procurava o pai, desesperadamente, por entre a fumaça e todo o entulho. Finalmente o encontrou observando o espetáculo, à luz do fogo e com os cabelos brancos esvoaçando ao vento. "Eu senti muita dó", disse Charles. "Ele tinha 67 anos de idade, não era mais jovem, e estava perdendo tudo. Mas ao me ver gritou: ''Charles, cadê a sua mãe? Traga-a aqui, porque ela nunca vai ver algo assim em toda a sua vida''. No dia seguinte, contemplando as ruínas, Thomas disse: "Uma catástrofe é algo muito valioso. Todos os nossos erros viraram fumaça. Graças a Deus podemos começar tudo de novo." Três semanas após o incêndio, Thomas Edison conseguiu apresentar o seu primeiro fonógrafo.

 

         Essa é a força de um olhar perante a vida! Como diria Wendell Phillips:  "A derrota nada mais é do que o primeiro passo para algo melhor"

         Ou, podemos ficar com a frase de Malcolm Chazal: "Um olhar indiferente é um perpétuo adeus!"

 

     Não quero que você fique no comparativo com o Thomas. Não é essa a proposta. A intenção é outra, é te trazer alguns questionamentos: O olhar, que é teu, você faz o quê com ele? Fará o quê com ele? De que forma você percebe seus olhos no teu EU?     Olhos que matam? Ou olhos que dão vida?